quarta-feira, 7 de março de 2012

Silenciei as palavras, orquestrei-te em mim


Mais uma vez as palavras que eu havia lhe reservado não passaram da garganta. Não que eu não sinta, não que esse sentimento não seja recíproco. Acontece, moço, que eu ando tomando cuidado com as palavras. Os sentimentos que as incorporam estão sendo cada vez mais cuidadosamente reservados. Repito, não há ausência de sentimento. Ainda mais tratando-se de você, que já está incorporado não só em meus sentimentos, mas em mim, de forma inteira.

Sorri, aquele sorriso que já não sabe de disfarces. Que não precisa de esforço algum para se mostrar. Que tem sido tão natural e tranquilo e que tem dito tanto a meu respeito. Sorri e te abracei forte, sentis-te? Nos abraçamos naquele nosso laço que é tão livre, tão aberto e sensível, apesar da força e da energia imensurável que transmite.

Te olhei nos olhos emocionada tão boba que sou, tão grata que sou ao universo. Percorri por teus territórios como rio que sempre desagua em mim. Teus olhos fixos nos meus, tuas mãos cravadas em minha pele, tua boca carnuda perambulando em mim... Te senti na alma.

Tu es ma came
Quand tu pars c'est l'enfer et ses flammes
Toute ma vie, toute ma peau te réclament
On dirait que tu coules dans mes veines

segunda-feira, 5 de março de 2012

Amor lucet

Leio-te o olhar
tal qual uma flor
nascendo no mar,
imitando o amor.

Teces o andar com doçura,
já imitando a felicidade
que por desventura
deixa em mim
a chama da saudade.

Falas tal como Eros,
voz embriagada de ternura.
Regas em meu coração teu solo,
cintilando-me, amorosamente,
a estrutura.

Escrito em 30/o5/2009.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A(mar)

Pés descalços na areia, mãos e corações dados, fomos de encontro ao mar. A plenitude daquele instante encheu-me de paz e gratidão. Deitados na areia, eu sorria tímida, com a cabeça no teu peito, enquanto você afagava meus cabelos e me beijava a testa. Naquele momento, éramos como dois sóis sob aquele sol, que pouco a pouco, era tragado pelo mar. O som que fez o mar enquanto lambia a areia era o mesmo que ecoava dentro de mim enquanto você me beijava.

"Mas quando o meu corpo encontrou esse amparo que é o seu, pensei:
em algum sonho eu já estive aqui."
[Marla de Queiroz]

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Eu Vida

Me vi sendo inteira,
onde outrora eu fora apenas metade;
leveza,
onde outrora eu fora rudeza;
harmonia,
onde outrora pairava apenas desequilíbrio.
Há sorriso,
onde outrora apenas uma linha fina;
há doçura nos meus olhos
antes apenas injetados no mundo;
há dança,
onde antes jazia um corpo rígido.
Hoje, há renascimento,
onde outrora só havia uma morte constante das coisas belas.
Hoje, há Eu Vida.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Calo; poetizo (te)

Como se eu não soubesse que tentar fazer aquilo que chamo de “devagar, para fazer a coisa certa” não resiste ao primeiro olhar acompanhado de um sorriso ou de uma simples sms no horário mais improvável. Como se eu não soubesse que bancar a durona por muito tempo só amolece mais o terreno do corpo e do coração, e quando se vê, já não resisto a chamá-lo de “meu lindo” ou a dar aquele boa noite cheio de charme e carinho na voz.

O negócio é: posso ser “durona”, não gostar de tanta rasgação de seda nem te encher daqueles apelidinhos miúdos e esquisitos que existem. Mas tem uma coisa: sou mesmo romântica e intensa em atos e sentimentos. Não sei me despedir sem olho no olho, beijo demorado e carinho no cabelo. Não sei entrar por aquele portão sem pedir para que você tome cuidado no caminho de casa. Não sei não sorrir quando você sorri. Não sei não te olhar inteiro enquanto você se distrai. Não sei não andar de mãos dadas com você e nem sei não me aninhar ao teu abraço sempre que me é possível.

Não são raras as vezes em que te dou tchau louca de vontade de te mandar voltar, te abraçar e te pedir para ficar comigo. Não, não é medo de nada. Só quero que nossos abraços se encaixem e que seja o teu rosto que eu veja no escuro. Só quero que me prenda ao teu corpo e que a gente vire poesia no silêncio da madrugada.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Hoje, eu poesia.

É incrível como dias ensolarados comportam energia tão vital. É como se eu fosse florescer a qualquer momento. Como se a cada riso, abraço, gesto, olhar, a qualquer momento, eu fosse desabrochar com aquele imensurável cheiro de flor. Olho pro céu e me sinto parte disso tudo, é como se eu fosse mesmo o céu azul, o vento, a flor, a melodia que tem nos versos da canção que é estar viva.

Hoje, nenhuma palavra é capaz de descrever o que estou sentindo. Hoje, a poesia é, mais do que nunca, essência.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Os ruídos que têm as despedidas silenciosas

“Eu te aninhei em meus braços como quem aninha um poema, como quem aperta uma saudade, como quem teme aquilo que tem nas mãos. Teme quebrar, teme machucar, teme desalinhar, perder, descosturar... Esquecer.” [Ju Fuzetto e Maria F. Probst]

Enquanto nos olhávamos, intimamente te poetizei. Não contive as palavras que precisavam sair de qualquer maneira, ainda que no silêncio que só uma alma amante pode suportar. Te disse tudo – ou quase tudo - enquanto você sorria com cara de quem não sabia o que esperar de mim, e então você apenas me abraçou. Temi que percebesse a loucura que as palavras estavam fazendo com meu coração, que batia em descompasso, mas que sabia exatamente qual seria o próximo passo quando era você quem estava na porta e me sorria e me abraçava e dessa vez mais forte enquanto me dizia o quanto é angustiante a nossa despedida. Nos vemos mais tarde, eu disse - ainda que carregasse a mesma sensação aqui dentro.

As palavras que não dissemos foi o nosso mais singelo beijo de despedida nessa manhã fria, que cheira a orvalho.